Manuel de Araújo rejeita acusações em julgamento ligado às manifestações pós-eleitorais – O País
Arrancou esta segunda-feira, no Tribunal Judicial da Cidade de Quelimane, o julgamento do processo relacionado com alegados ilícitos eleitorais ocorridos na sequência das manifestações de contestação aos resultados das eleições autárquicas de 11 de Outubro de 2023. No banco dos intervenientes estão o edil de Quelimane, Manuel de Araújo, Telma Gonçalves e o então presidente da Comissão Distrital de Eleições, Zacarias Inácio.
Na audiência, Telma Gonçalves explicou que decidiu recorrer à justiça depois de, alegadamente, Manuel de Araújo e apoiantes seus se terem deslocado à frente da sua residência durante as manifestações, chamando-lhe “ladra de votos”. Segundo afirmou, a situação gerou medo e pânico, levando-a a apresentar uma queixa para salvaguardar a sua integridade e a da sua família.
Também Zacarias Inácio confirmou ter apresentado uma queixa contra Manuel de Araújo. O antigo presidente da Comissão Distrital de Eleições alegou que a divulgação da sua imagem perante uma multidão, associada a mensagens que o responsabilizavam por alegados ilícitos eleitorais, fez com que se sentisse ameaçado, numa altura de elevada tensão política.
Durante a audiência, a juíza do caso, procurou esclarecer por que razão as queixas foram dirigidas especificamente contra Manuel de Araújo e não contra outras pessoas que participaram nas marchas. Em resposta, os dois queixosos afirmaram que identificaram o autarca como a principal figura do grupo e que a intenção nunca foi denegrir a sua imagem, mas evitar que as suas famílias e a sua segurança fossem colocadas em risco.
Por sua vez, Manuel de Araújo rejeitou todas as acusações. O edil afirmou que decidiu recorrer à justiça por entender que os arguidos agiram de forma consciente e de má-fé, com o objectivo de prejudicar a sua imagem e reputação.
Segundo Manuel de Araújo, na audiência preliminar os arguidos não apresentaram razões consistentes para o responsabilizar directamente, tendo, inclusive, admitido não possuir provas que sustentassem essa imputação. O autarca que foi o único a aceitar falar à imprensa defendeu ainda que, pelas funções que exerciam à data dos factos, os queixosos tinham plena consciência das consequências das acusações formuladas.
Após a audição das partes, o ministério público entende que a denúncia contra Manuel de Araújo é caluniosa. A advogada deste pede ao tribunal para condenar Telma Gonçalves e Zacarias Inácio por calúnia e difamação. Já o advogado dos dois arguidos Telma Gonçalves e Zacarias Inácio entende que o processo mostra que o assistente Manuel de Araújo foi absolvido pela justiça enquanto ficou provado que ele participava das marchas e que tinha maior visibilidade.