AFINAL, PORQUE NÓS DEVEMOS FAZER EXERCÍCIO FÍSICO? – O País
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AFINAL, PORQUE NÓS DEVEMOS FAZER EXERCÍCIO FÍSICO? – O País

A consciência de que nós devemos exercitar mudou. Depois de um período relativamente longo em que o sedentarismo tomou conta do comportamento humano, há cada vez mais pessoas a dedicarem uma parte do seu dia ao exercício físico. Este fenómeno parece estar a dever-se às consequências negativas de um exponencial aumento do sedentarismo, que foi causado pela mudança do trabalho manual para a maquinaria, o aumento das profissões de carácter sedentário e o uso crescente do transporte motorizado, entre outros. 

O Homem moderno é resultado de uma longa evolução em que a actividade física foi determinante. As necessidades de movimento aliadas aos actos de sobrevivência determinaram um DNA adaptado a actividades de grande dispêndio energético. A constituição anatómica e fisiológica dos hominídeos estava feita para um ser que procura e colecta alimentos, faz longas caminhadas e caça, para citar as mais evidentes. Ou seja, um corpo feito para um constante movimento. Estima-se que o gasto energético de um homem primitivo fosse equivalente a uma caminhada de 5-6 horas diárias. E, de repente, nas últimas décadas, com a industrialização, e agora com a globalização da tecnologia, a redução do movimento, e portanto do gasto energético, foi brutal. Esta redução drástica da atividade da humanidade gerou um conjunto de reacções corporais negativas. 

Na verdade, pode-se considerar a actividade física como um elemento tão essencial quanto a nutrição. Da mesma maneira que, quando não comemos devidamente, o corpo reage negativamente, a ausência de actividade física provoca reacções negativas, como hipertensão, diabetes, lombalgias, entre muitas outras. A constatação destes fenómenos tem levado a um crescimento elevado da pesquisa científica, que procura não apenas perceber as suas causas como encontrar soluções para as combater. A redução da actividade física generalizada só encontra uma resposta possível na promoção do exercício físico, um substituto das actividades de sobrevivência do homem primitivo. 

Embora haja muito ainda por esclarecer, as razões por que se deve fazer exercício são múltiplas e interdependentes. Escolhemos, para este texto, 10 razões singulares mas é preciso ter em conta que o efeito do exercício no organismo se realiza por uma interacção complexa que dificilmente se consegue determinar de forma global. 

1ª CONTROLAR O PESO

O decréscimo da actividade física provocado pelo estilo de vida moderna provocou um significativo aumento da população com sobrepeso e obesidade. No desequilíbrio entre o que ingerimos e despendemos, o corpo acumula energia excedente em forma de gordura corporal, o que traz múltiplas consequências: perda de mobilidade, excesso de carga nas articulações, aumento da prevalência de diabetes, subida da tensão arterial, para citar algumas. Porque a alimentação é essencial para múltiplas funções vitais para além da actividade física, nós não podemos deixar de comer. O problema principal não é comermos demais, mas fazermos actividade física a menos. A única solução efectiva é promover sociedades activas. 

2º CONTROLAR A POSTURA E DORES DE COSTAS

As dores lombares constituem uma das principais causas de ausência ao trabalho no mundo inteiro. Costuma-se dizer que só há dois tipos de pessoas no mundo: os que têm dores nas costas e os que vão tê-las. Essas dores causam enormes desconfortos e dificultam ou inviabilizam a mobilidade. As suas causas são múltiplas e complexas, mas, na sua maioria, prendem-se com os equilíbrios posturais que a vida moderna e sedentária impõe. A evolução humana para a posição bípede não ajudou neste aspecto. Embora haja bastantes excepções, na maioria dos casos uma correcta prática de actividade física resolve o problema das dores. É verdade que, se o exercício ou a postura habitual, forem incorrectamente executados, as dores podem até piorar. Contudo, a investigação científica e a prática clínica demonstram, com grande evidência, que o exercício físico pode ser um factor decisivo e eficaz na prevenção e cura das dores nas costas. 

3º REGULAR O SONO 

Os mecanismos fisiológicos de resposta do organismo ao exercício físico incluem a libertação de endorfinas que influenciam na regulação do sono. Na verdade, um excesso de intensidade pode também provocar o contrário, mas a grande maioria das pessoas não atingem esses limites. Por causa dessa libertação de endorfinas, as pessoas que fazem exercício moderado e regular têm tendência a dormir melhor. 

4º MELHORAR O SISTEMA IMUNITÁRIO

Um dos mecanismos corporais que actua na defesa do organismo contra agentes patogénicos, isto é, que provocam doenças, é o sistema imunitário. Não sendo o único factor, a investigação científica já demonstrou que o exercício tem um impacto positivo na resposta deste sistema às agressões desses agentes. Uma vez mais, o tipo e intensidade do exercício são importantes já que o excesso pode mesmo conduzir as respostas contrárias. 

5º CONTROLAR OS DIABETES

O desequilíbrio entre alimentação e actividade tem provocado um aumento da diabetes na população mundial. Infelizmente isso já afecta países com Moçambique. O aumento de actividade física está entre as medidas preventivas e curativas mais eficazes da Diabetes tipo 2. tem sido.

6º DIMINUIR O RISCO DE CANCRO

Estudos epidemiológicos têm revelado que as pessoas que fazem exercício apresentam menor probabilidade de desenvolver alguns tipos de cancro. Além disso, no tratamento do cancro, o exercício físico, quando possível, tem-se revelado eficaz porque impacta positivamente em factores que são consequência do estado cancerígeno. 

7º DIMINUIR O RISCO DE OSTEOPOROSE

Ao contrário do que parece, os nossos ossos têm uma grande actividade metabólica. Composto essencialmente por minerais, a actividade de construção e destruição de células ósseas é muito intensa, sendo indispensável para a manutenção da densidade óssea. Um dos factores muito importantes para a manutenção dessa actividade é o impacto e a tracção muscular que, com a idade e o decréscimo de actividade física, reduzem tendo como consequência uma diminuição da densidade óssea levando ao surgimento de osteoporose. . 

8º CONTROLAR A TENSÃO ARTERIAL 

Por motivos ainda em debate, mais de 30% da população moçambicana é hipertensa, e esta percentagem tem vindo a crescer. Se uma parte deste quadro se deve a razões hereditárias, há fortes indicações de que este crescimento se deve também ao declínio da actividade física. É hoje evidente que o exercício tem um efectivo papel no controlo da hipertensão arterial. 

9º DIMINUIR OS NÍVEIS DE ANSIEDADE

Conhecida por “stress”, a ansiedade é considerada o factor de risco número um em relação às doenças não transmissíveis (exemplos). As características da vida moderna, sobretudo a urbana, provocaram um aumento generalizado deste sintoma. Por mecanismos fisiológicos complexos, o exercício físico tem um papel importante na regulação da ansiedade e, portanto, constitui mais uma razão para as pessoas se exercitarem.  

10º – PROPORCIONAR OPORTUNIDADES DE SOCIALIZAÇÃO

Embora o exercício possa ser feito de forma individual, há múltiplas formas de o fazer de forma colectiva. A adesão a uma prática regular de exercício pode proporcionar momentos de convivência social que muitas vezes se transportam para outras actividades de convívio social. 

Em suma, a combinação das razões apresentadas resulta numa comprovada melhoria da auto-estima e do bem-estar. As pessoas sentem-se melhor, em geral e consigo mesmas. Há, portanto, múltiplas razões e mecanismos de impacto positivo do exercício físico. 

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