Violada pelo próprio pai – Jornal Domingo
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Violada pelo próprio pai – Jornal Domingo

TEXTO DE MICAELA MEQUE

Aos nove anos de idade, Elisa Panguene viveu uma das fases mais dolorosas da sua vida. Por três anos, ela e a irmã, de 7 anos, foram vítimas de abuso sexual praticado pelo próprio pai. As ameaças impediam-nas de denunciar o que acontecia. Quando a verdade veio à tona, a família não conseguiu garantir a protecção que ambas precisavam. Hoje, aos 26, Elisa procura transformar a dor em esperança, ajudando outras raparigas que enfrentam situações semelhantes.

Nascida no bairro do Zimpeto, em Maputo, Elisa cresceu numa quinta familiar paterna. Quando a mãe abandonou aquele lar, ela tinha dois anos de idade e a irmã, apenas meses. Por conta disto, as duas ficaram sob cuidados dos avós e do pai.

A infância parecia decorrer normalmente, até quando aos 9 anos começaram os abusos sexuais. A situação só começou a ser descoberta quando uma das tias reparou que Elisa tinha dificuldades para caminhar, porque tinha feridas nos seus órgãos genitais. Os familiares questionaram-na, mas o medo impedia-na de falar.

Em 2011, dois anos mais tarde, após várias insistências dos familiares, Elisa decidiu contar a verdade. Houve reuniões familiares, mas, segundo relata, nada foi resolvido. A história espalhou-se pelo bairro e chegou à escola onde estudava. “Foi uma professora quem decidiu agir. Ela procurou-me para confirmar os factos e apresentou queixa na esquadra do bairro”.

Dois dias depois, o seu progenitor foi detido e Elisa foi encaminhada para o Hospital Geral José Macamo, onde ficou internada por um mês, devido à gravidade das lesões do abuso que sofria.

A sua irmã permaneceu na casa dos avós. Embora vítima de abusos, Elisa não conseguiu revelar às autoridades o caso da irmã. “Durante o processo judicial, o juiz pediu que os meus familiares localizassem a minha mãe, nove anos depois de ter nos abandonado. Ela chegou a visitar-me no hospital, mas recusou-se a permanecer comigo durante o internamento, alegando que tinha constituído outra família e que o marido desconhecia a nossa exigência.

Entretanto, o pai e agressor acabou condenado a 14 anos de prisão. Leia mais…

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