UP Maputo reconhece contributo da Clarisse Machanguana no desenvolvimento do desporto – O País
Clarisse Machanguana foi hoje homenageada pela Universidade Pedagógica de Maputo, em reconhecimento do seu contributo, como atleta do basquetebol, na elevação do nome de Moçambique além fronteiras. O Secretário permanente do Ministério da Juventude e Desporto, Júlio Mendes diz que não cabe apenas ao Governo investir e valorizar o desporto nacional.
Chama-se Clarisse Machanguana, a basquetebolista moçambicana de 49 anos de idade, que atingiu a mais alto escalão do basquetebol mundial, o WNBA, aos 23 anos…
Machanguana, que elevou a bandeira nacional durante anos, foi nesta quinta-feira homenageada pela Universidade Pedagogica de Maputo.
Diante de um público misto, composto por docentes, desportistas, alunos e políticos, a atleta falou do seu percurso “difícil”.
“Comecei a gravar-se com seis anos de idade, sem imaginar que esse seria um bilhete de loteria que me levaria a conquistar uma formação superior para a lei em fronteiros. Fui para lá parar, mas para fugir dos comentários excessivos sobre a minha altura. Fiquei por lá não porque fosse uma boa jogadora, mas porque aos poucos apercebi-me que o estar ali adicionava valor e fortifica a minha autoestima. Cada cesto que eu faço me eleva e, sobretudo, o campo de basquete torna-se um espaço onde semeio amizades que perduram mais de 40 anos até hoje. Tornou-se o meu paraíso”.
O Reitor da UP Maputo, Jorge Ferrão diz que a atleta é, hoje, fonte de inspiração para muitas jovens no país.
De acordo com Ferrão, Machanguana é uma estrela que brilhou além fronteiras, mas entendeu que precisava dar oportunidade a outros talentos.
“A Clarice poderia ter guardado para si o brilho conquistado nos grandes palcos internacionais. Poderia ter encerrado a carreira contando as suas histórias e teria vivido tranquilamente das memórias de uma grande campeã. Mas escolheu outro caminho.
Criou a Fundação Clarisse e decidiu devolver ao país parte daquilo que o país também lhe deu a si”.
Aposentada há cerca de 10 anos, Clarisse Machanguana diz que a sua missão agora é abrir caminhos para outras atletas, futuras estrelas do basquetebol, das barreiras enfrentadas.
“Nasce a Fundação Clarisse Machanguana pela necessidade e obrigação que eu sentia de partilhar os instrumentos que eu tinha usado no meu percurso de vida de uma maneira que fosse sustentável e transformadora. Cometi vários erros. Um, de pensar que o meu nome atrairia os apoios financeiros que são necessários para se fazer um trabalho dessa natureza”.
Diante de uma realidade em que pouco se investe no desporto nacional, o Governo diz que a responsabilidade é também da sociedade.
O secretário Permanente do Ministério da Juventude e Desportos, Júlio Mendes explica que há iniciativas Governamentais que buscam a valorização e elevação do desporto nacional, em todas as modalidades, mas exige sinergias.
“Precisamos de criar solidez na estrutura de formação interna, através dos técnicos, dos quadros que trabalham na base. Se conseguirmos criar um ambiente bom nesta, estaremos muito bons a nível mais à frente. O que tem acontecido é que há atletas que, por alguma razão, investem e conseguem ter sucesso. Mas isso é um ou outro. Mas se nós criarmos uma estrutura, países como Botsuana e Namíbia estão a fazer esse exercício, agora já são campeões do mundo com vários atletas, porque criaram uma base estrutural muito sólida.
E aí há um trabalho conjunto que deve ser feito: Governo e as entidades que participam no desporto. Deve haver uma comunhão de ideias, um princípio, história de longo prazo”.
Mendes disse mais. Fala da necessidade de investimento a longo prazo, com metas claras em cada fase, como estratégico para o desenvolvimento do desporto.
“Nós temos um desafio no país que é aquele de questões de rapidez, curto prazo. E muitos países estão a abandonar esse processo. Estão a investir daqui para cinco, dez anos.
Nós temos de ter esta capacidade”.
Machanguana, que iniciou a praticar o basquetebol na escola primária, aos seis anos de idade, já representou equipas como Costa do Sol, em Moçambique, Lasers, nos EUA, FC Barcelona na Espanha e vários outros emblemas pelo mundo.