Sete empresas unem-se para fortalecer negócio – Jornal Domingo
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Sete empresas unem-se para fortalecer negócio – Jornal Domingo

Sete pequenas empresas agro-industriais uniram-se para criar uma cooperativa destinada a fortalecer a comercialização e a distribuição dos seus produtos, além de ampliar a capacidade de negociação e da presença no mercado.

A iniciativa resulta das dificuldades enfrentadas individualmente pelas empresas para transformar a sua capacidade produtiva em vendas sustentáveis. Segundo Pedro Tomo, oficial de Comunicação e Relações Públicas na Cooperativa Aliança Verde, durante anos as empresas fizeram investimentos para aumentar a produção, mas continuaram limitadas pela dificuldade de colocar os seus produtos no mercado à escala nacional.

A ideia da cooperativa começou a ser discutida em 2022-2023, na sequência das relações de cooperação estabelecidas entre proprietários de sete empresas que se conheceram em várias edições da Feira Internacional de Maputo (FACIM), no pavilhão das Pequenas e Médias Empresas (PME), sob gestão do Instituto para a Promoção de Pequenas e Médias Empresas (IPEME).

Na ocasião, as empresas identificaram dificuldades comuns e concluíram que a cooperação entre elas poderia contribuir para melhorar os seus negócios. Este ano, apresentaram-se na 61.ª Edição da FACIM já com a cooperativa legalmente constituída.

Denominada “Aliança Verde”, a cooperativa iniciou com sete empresas e está actualmente à procura de novos membros para aumentar a diversificação do seu portfólio. A selecção dos novos integrantes obedece ao princípio da complementaridade da oferta comercial da cooperativa, não sendo admitidas empresas que desenvolvam a mesma actividade.

Entre os requisitos para integrar a cooperativa está a produção de bens com identidade, história e origem moçambicanas, além do cumprimento de padrões de qualidade e segurança dos alimentos, conformidade comercial e legal, com destaque para a rotulagem, peso, volume, validade e rastreabilidade, além da capacidade de fornecimento. Os produtos devem ainda possuir ficha técnica e estar alinhados com o posicionamento da Aliança Verde.

“A cooperativa privilegia produtos naturais e locais produzidos sob elevados padrões de responsabilidade social e ambiental. Os membros não devem recorrer à mão-de-obra infantil, explorar fornecedores ou comprometer o equilíbrio agro-ecológico e ecossistemas considerados frágeis”, disse Pedro Tomo.

Para ele, uma das principais dificuldades enfrentadas singularmente pelas empresas é o acesso e a negociação com o mercado, sobretudo junto das grandes superfícies. Em grupo, a cooperativa pretende aumentar a sua capacidade de negociação e partilhar custos relacionados com logística, facturação, promoção, vendas e outros aspectos.

As empresas integrantes produzem, entre outros artigos, fruta seca, óleos essenciais, produtos de cosmética, sabonetes, compotas, picantes, polpas congeladas, licores de fruta silvestre, chás, cafés, farinhas funcionais, mel e pós de malambe e moringa.

A entrada nos supermercados é apontada como um dos principais desafios para pequenos produtores, sobretudo porque muitos dos produtos comercializados pela cooperativa exigem um trabalho de literacia do consumidor. A estratégia passa por identificar os canais onde estão os consumidores interessados nestes produtos e reforçar a divulgação e promoção das marcas.

A cooperativa pretende aproveitar os pontos de venda já utilizados pelas sete empresas. Conforme Pedro Tomo, o conjunto das empresas possui mais de 100 pontos de distribuição, que vão passar a receber um portfólio alargado de produtos através do catálogo da Aliança Verde.

A agremiação prevê ainda criar soluções conjuntas de logística. A ideia é que, em vez de cada empresa utilizar de forma isolada as suas viaturas para transportar pequenas quantidades de mercadoria, possa ser utilizado um único meio de transporte para distribuir produtos de vários membros ao longo das rotas de distribuição.

As sete empresas que integram a cooperativa têm as suas unidades fabris concentradas nas províncias de Manica, Inhambane e Nampula, permitindo, segundo Tomo, criar condições para uma maior circulação dos produtos entre diferentes províncias.

“A expansão para outras províncias poderá permitir aumentar as vendas, melhorar a utilização da capacidade instalada e criar condições para uma distribuição regular dos produtos a uma escala maior para todas as empresas-membros”.

Questionado sobre as dificuldades de financiamento que têm afectado várias micro, pequenas e médias empresas, o oficial de Comunicação e Relações Públicas da Cooperativa Aliança Verde explicou que a agremiação não pretende substituir os negócios individuais dos seus membros, nem criar um sistema de financiamento colectivo. Cada empresa continua responsável pela produção e pela sua própria engenharia financeira, enquanto a cooperativa concentra a sua intervenção na comercialização, marketing e distribuição. Leia mais…

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