PR recebe missões internacionais para impulsionar inovação e habitação em Moçambique – O País
O Presidente da República manteve, hoje, audiências separadas no seu gabinete com representantes de organizações internacionais e investigadores para discutir estratégias de transformação económica, habitação acessível e cooperação em setores estruturantes.
Os encontros sublinharam a aposta de Moçambique no conhecimento e na tecnologia como motores de desenvolvimento, visando traduzir os recursos naturais e o potencial humano do país em valor económico real e melhoria das condições de vida da população.
A inovação e a protecção de marcas estiveram no centro da conversa com o Diretor-Geral da Organização Regional Africana da Propriedade Intelectual (ARIPO), Bemanya Twebaze. O dirigente enfatizou que “para a transformação económica, precisamos de utilizar o conhecimento para garantir que a inovação seja traduzida em valor económico”, destacando a necessidade de proteger marcas locais para o mercado internacional.
Durante a audiência, Twebaze reconheceu o potencial dos recursos finitos moçambicanos, como o caju, minerais e recursos hídricos, defendendo a criação de empregos através da propriedade intelectual. Segundo o Diretor-Geral da ARIPO, “Moçambique está a dar passos largos. Tem um quadro de propriedade intelectual muito claro”, factor que considerou essencial para o aprofundamento da cooperação regional.
No sector habitacional, o Chefe do Estado recebeu o investigador português António Ferreira, que apresentou propostas para a construção de casas a custos controlados. Ferreira afirmou que a intenção do seu grupo é “contribuir para o desenvolvimento e construção da área da habitação a custos controlados e de uma forma escalada”, respondendo a uma necessidade que classificou como premente no país.
O investigador português salientou que a habitação é, a par da alimentação, a “parte estruturante do desenvolvimento de um país e de um povo”. Para viabilizar este projecto, Ferreira pretende integrar as suas soluções tecnológicas no projeto de “Terra Infraestruturada” já lançado pelo Governo de Moçambique, visando criar condições dignas para a evolução dos cidadãos.
A metodologia proposta por António Ferreira baseia-se num sistema de construção modular e industrializada. Segundo o especialista, esta técnica “permite fazer o escalonamento e a escala que for adequada face à demanda que for necessária”, garantindo rapidez e eficiência na execução das obras sem comprometer a qualidade habitacional necessária para o mercado nacional.
António Ferreira revelou ainda que, no diálogo, o Presidente moçambicano traçou um cenário de Moçambique com “muita vontade de desenvolvimento”, embora numa fase embrionária. O investigador notou a abertura do Estado para parcerias com o sector privado como forma de “fazer o aceleramento, digamos assim, desta evolução do país e consequentemente o seu povo”.
O Director-Geral da Avicon Limited, Olisa Okuosa, também foi recebido em audiência, focando-se na colaboração multissetorial através do Grupo OSO. Okuosa explicou que o objectivo é “colaborar em Moçambique no sentido de reforçar o sector energético, o sector agrícola e também o sector metalúrgico”, trazendo valor acrescentado e reforçando o conteúdo local.
O responsável destacou a importância de integrar a juventude nos planos de crescimento, afirmando que Moçambique é um país bonito cuja “população jovem, acima de tudo, precisa de ser aproveitada da forma correcta e posta a trabalhar”. Para Director-Geral, o potencial demográfico de Moçambique é um dos seus maiores activos para a prosperidade futura sob a liderança actual.
O encontro encerrou com uma nota de optimismo sobre as parcerias estratégicas, com Olisa Okuosa a reforçar que, com as estruturas do seu grupo e a visão do Presidente Daniel Chapo, é possível “fazer certas coisas que podem ajudar a população a prosperar ainda mais”.