Moçambique e África do Sul reforçam laços económicos em encontro de alto nível – O País
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Moçambique e África do Sul reforçam laços económicos em encontro de alto nível – O País

O Presidente da República, Daniel  Chapo, e o seu homólogo sul-africano, Cyril Ramaphosa, selaram, nesta  terça-feira, em Pretória, um compromisso estratégico para aprofundar  a integração económica e mitigar tensões sociais, com enfoque na  criação de zonas económicas especiais e no combate à xenofobia. 

Segundo o comunicado da Presidência da República, o encontro, inserido na visita de trabalho do estadista moçambicano  ao país vizinho, resultou em diretrizes ministeriais rigorosas para viabilizar  projectos bilaterais nos sectores da energia, gás e infra-estruturas,  reafirmando a interdependência histórica e o destino comum das  duas maiores potências da África Austral. 

A tónica da visita foi marcada por um sentido de fraternidade e pela  urgência em transformar a proximidade geográfica em dividendos comerciais. O Presidente Daniel Chapo sublinhou a natureza histórica  da relação. 

“Estamos muito satisfeitos com a visita que nós fizemos  aqui à África do Sul, um país irmão. Como sabem muito bem, África  do Sul e Moçambique estão sempre juntos, unidos, como dois países  irmãos e dois povos irmãos. O objectivo principal era estreitarmos cada  vez mais as nossas relações bilaterais, sobretudo no que toca à área  económica e comercial”. 

No plano prático, a agenda económica dominou as conversações,  visando a industrialização conjunta e o aproveitamento de recursos  naturais. Segundo o Chefe do Estado, o diálogo abrangeu “vários  projectos comuns que podemos levar a cabo entre Moçambique e a  África do Sul, nas áreas da agricultura, da indústria, energia, gás,  recursos minerais, infraestruturas e vários outros projetos importantes  para desenvolver os dois países e os dois povos”. 

A eficácia da cimeira foi garantida pela emissão de ordens directas  aos respectivos gabinetes governamentais para a execução das  decisões tomadas. 

“Foi uma visita bastante frutífera porque  produzimos orientações concretas que orientamos aos nossos ministros  para poderem trabalhar unidos e coesos e podermos materializar os  resultados desta visita”, destacou o governante,  sinalizando uma nova fase de operacionalização de acordos. 

Um dos pontos mais sensíveis da agenda foi a questão da xenofobia e  a segurança de cidadãos estrangeiros na África do Sul. O Presidente  da República recordou o sacrifício comum pela liberdade para apelar  à tolerância. 

“Como dois Presidentes dos dois países, falámos sobre o assunto e,  sobretudo, da necessidade dos povos moçambicano e sul-africano  estarem mais unidos, coesos, porque somos dois povos irmãos. Sempre  estivemos juntos, como sabem, durante a luta do apartheid; nós,  moçambicanos, lutamos juntos com a África do Sul para conseguirmos  a liberdade do povo sul-africano”. 

Cyril Ramaphosa, por sua vez, corroborou a profundidade das  discussões, realçando que o diálogo foi além da cortesia diplomática.  “Tivemos uma visita muito boa do Presidente Chapo e seus ministros. 

Esta tem sido uma visita de trabalho. Tivemos discussões muito extensas  sobre assuntos de interesse mútuo para ambos os países, que  abrangem a economia, a segurança, bem como algumas questões  sociais”, declarou o estadista sul-africano. 

O líder sul-africano também procurou tranquilizar o sector empresarial  sobre possíveis barreiras comerciais, prometendo debates detalhados  para expandir o fluxo de mercadorias. 

“Também tratámos de questões relativas às restrições que foram  introduzidas, as quais os nossos ministros irão discutir com bons  resultados para ver a melhor forma de lidar com elas. Queremos  assegurar aos nossos empresários sul-africanos que as discussões serão  bastante detalhadas ao debater essas questões e também para  expandir o comércio entre os nossos dois países de muitas formas”,  afirmou Ramaphosa. 

Relativamente aos desafios sociais e migratórios, Ramaphosa apelou à  humanidade, sem descurar a legalidade laboral. 

“O Presidente Chapo e eu discutimos este assunto e concordámos que  devemos trabalhar juntos. Não é apenas um país que é afetado; todos  os países que têm cidadãos estrangeiros na África do Sul também são  afetados”, exortou o Presidente sul-africano. 

A componente legal da migração foi igualmente enfatizada como  forma de proteger o mercado de trabalho interno e garantir a  segurança jurídica dos migrantes. A este aspecto, Ramaphosa  esclareceu: “Também dizemos aos empregadores na África do Sul que  aprovamos a lei de que as pessoas que não têm as autorizações de  trabalho necessárias na África do Sul, sim, não devem ser  empregadas; deve-se dar lugar aos sul-africanos. Ao mesmo tempo,  encorajamos todas as pessoas de outras nações a garantirem que têm  a documentação adequada”. 

Ao encerrar o balanço da visita, ambos os estadistas projectaram um  futuro de cooperação contínua e optimismo. Ramaphosa concluiu  que, “no geral, esta tem sido uma visita muito positiva e construtiva do  Presidente Chapo. Tivemos discussões realmente boas que vão abrir 

muitas oportunidades para as pessoas de ambos os lados”, selando  assim um encontro que reforça a arquitectura de estabilidade e  desenvolvimento na região da SADC.

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