Milhares de fieis dão último adeus a Dom Júlio Langa em Chongoene – O País
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Milhares de fieis dão último adeus a Dom Júlio Langa em Chongoene – O País

Milhares de fiéis, familiares, sacerdotes e autoridades participam, este sábado, nas cerimónias fúnebres de Dom Júlio Duarte Langa, em Gaza. A despedida começou às sete horas, na Sé Catedral de Xai-Xai, com orações, seguindo-se o cortejo para o Santuário de Nossa Senhora de Lurdes de Chongoene, onde decorre a missa de corpo presente. O sepultamento está previsto para depois da celebração. Primeiro bispo moçambicano da Diocese de Xai-Xai e segundo cardeal do país, Dom Júlio Langa morreu aos 98 anos, depois de quase sete décadas de sacerdócio.

A Sé Catedral de Xai-Xai acolheu, às primeiras horas deste sábado, milhares de fiéis que se juntaram para prestar a última homenagem a Dom Júlio Duarte Langa. As orações de despedida começaram às sete horas, antes da saída do cortejo fúnebre para o Santuário de Nossa Senhora de Lurdes de Chongoene.

A chegada do cortejo a Chongoene marca a segunda etapa das cerimónias, que reúnem membros do clero, familiares, autoridades e fiéis provenientes de diferentes pontos da província de Gaza e de outras regiões do país.

No Santuário de Nossa Senhora de Lurdes decorre a missa de corpo presente, presidida pelo Núncio Apostólico em Moçambique, Dom Luís Miguel Muñoz Cárdaba.

A celebração contempla a Liturgia da Palavra e a Liturgia Eucarística, seguindo-se a oração de encomendação. A cerimónia é acompanhada por momentos de homenagem e mensagens de reconhecimento ao percurso de Dom Júlio Duarte Langa no seio da Igreja Católica em Moçambique.

Depois da celebração religiosa, está previsto o sepultamento do cardeal no próprio santuário, local ligado ao percurso pastoral do antigo bispo de Xai-Xai.

A cerimónia acontece no fim de uma vida marcada por quase sete décadas de sacerdócio e por uma trajectória que se cruza com diferentes momentos da história da Igreja e de Moçambique.

Dom Júlio Duarte Langa nasceu a 27 de Outubro de 1927, em Mangunze, e foi ordenado sacerdote a 9 de Junho de 1957.

Depois de exercer diferentes funções pastorais, foi nomeado, em 1976, bispo da então Diocese de João Belo pelo Papa Paulo VI. Meses mais tarde, a diocese passou a designar-se Xai-Xai, fazendo de Dom Júlio Langa o primeiro bispo moçambicano da Diocese.

Permaneceu à frente da Diocese durante 28 anos, entre 1976 e 2004. O período do seu episcopado foi marcado por profundas transformações no país, incluindo a independência nacional, a guerra civil e o processo de paz e reconstrução.

Ao longo desse percurso, acompanhou comunidades afectadas pela pobreza, epidemias e calamidades naturais, mantendo uma intervenção pastoral que marcou a Diocese de Xai-Xai.

Em 2004, deixou o governo pastoral da Diocese e passou à condição de bispo emérito.

Onze anos depois, em 2015, voltou a marcar a história da Igreja Católica em Moçambique. No Consistório de 14 de Fevereiro, o Papa Francisco criou-o cardeal, tornando-o o segundo moçambicano a receber a dignidade cardinalícia, depois do Cardeal Alexandre José Maria dos Santos.

A sua ligação à Igreja estendeu-se também ao trabalho de tradução de textos do Concílio Vaticano II para línguas moçambicanas, contribuindo para aproximar a mensagem da Igreja das comunidades locais.

Dom Júlio Duarte Langa deixa, assim, um percurso de quase 70 anos de sacerdócio, 28 dos quais dedicados à liderança da Diocese de Xai-Xai.

Aos 98 anos, o Cardeal Emérito de Xai-Xai é homenageado por milhares de fiéis em Chongoene, numa cerimónia que reúne a Igreja, familiares e representantes de diferentes sectores da sociedade moçambicana.

O sepultamento, previsto para depois da missa de corpo presente, deverá marcar o encerramento das cerimónias fúnebres de uma das figuras de referência da Igreja Católica em Moçambique.

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