Médicos Sem Fronteiras alertam para o alastramento de Ébola na RD Congo – O País
A organização Médicos Sem Fronteiras (MSF) informou ontem que o surto de Ébola na República Democrática do Congo (RD Congo) está a espalhar-se a um ritmo alarmante e sem precedentes e a agravar a crise humanitária no país.
A propósito da visita à RD Congo do director-geral da Organização Mundial de Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, a directora médica adjunta da MSF disse que “novos casos suspeitos estão a ser reportados quase diariamente em novos locais, fora das cadeias de transmissão já identificadas”.
Segundo Philippa Boulle, dois meses e meio após a declaração do surto de Ébola, a situação no leste da RD Congo “é mais crítica do que nunca”.
“O surto está a espalhar-se a um ritmo alarmante e sem precedentes, apesar dos esforços incansáveis das equipas médicas na linha da frente”, frisou.
De acordo com o último boletim divulgado pelo Ministério da Comunicação da RD Congo, o actual surto de Ébola no país já matou 1751 pessoas.
Foram registados 3874 casos, desde o início do surto no leste da RD Congo.
A organização MSF defende que, para evitar mais perdas de vidas, a resposta deve superar a taxa de transmissão actual.
“A resposta médica internacional deve ser ampliada sem demora, e muitas lacunas críticas ainda precisam de ser abordadas”, indicou Philippa Boulle.
Isto apesar dos “progressos inegáveis na triagem e no rastreio de contactos” que foram registados, mas que “continuam a ser muito insuficientes”.
No centro de tratamento de Ébola dos MSF em Bunia, 90% dos doentes internados não tiveram os seus contactos rastreados, enquanto em toda a província de Ituri apenas 59% dos contactos foram rastreados.
“Há uma necessidade urgente de um maior envolvimento da comunidade. Uma resposta bem-sucedida só pode ser alcançada se for construída com e liderada por actores locais. Sem as comunidades no centro da resposta, a vigilância e o rastreio de contactos continuarão a deixar passar casos”, prosseguiu Philippa Boulle.
E alertou: “Este surto está a agravar uma crise humanitária em curso. Malária, sarampo, cólera, desnutrição e outras doenças evitáveis e tratáveis continuam a causar doenças e mortes significativas. O apoio contínuo às unidades de saúde é também crucial para que possam continuar a prestar serviços de saúde essenciais durante toda a resposta e proteger os profissionais de saúde”.
A organização MSF tem atualmente mais de 1400 funcionários mobilizados na resposta ao surto de doença pelo vírus Ébola no leste da RD Congo.
Os últimos dados divulgados pelo Ministério da Comunicação congolês, com dados recolhidos até segunda-feira, a taxa de letalidade está atualmente nos 45,1%.
Até à data, cinco províncias congolesas foram afectadas pelo surto de Ébola: Ituri (epicentro do surto), Kivu do Norte, Kivu do Sul e Haut-Uélé (leste), além de Tshopo (centro-norte).
O vírus Ébola transmite-se por contacto directo com fluidos corporais de pessoas ou animais infectados e provoca febre hemorrágica grave, vómitos, diarreia e hemorragia interna.