Chapeiros ameaçam agravar tarifas em Xai-xai – O País
Um mês depois do aumento de cinco meticais nas tarifas de transporte em Xai-Xai, os operadores ameaçam voltar a subir os preços, alegando que o custo dos combustíveis está a tornar insustentável a actividade. O Município, que admite receber denúncias de especulação, apertou a fiscalização e já apreendeu mais de 200 viaturas por diversas irregularidades.
Os transportadores de Xai-Xai voltam a pressionar por um novo aumento das tarifas, apenas um mês depois de os passageiros terem começado a pagar mais cinco meticais nas principais rotas da cidade. Os operadores justificam a ameaça com o aumento dos custos operacionais, sobretudo do combustível, e dizem estar cada vez mais apertados entre as despesas e o valor cobrado aos passageiros.
“O preço do combustível e a tarifa de transporte, não há uma equivalência entre essas duas coisas. Digo isso porque eu até sinto pena do passageiro, mas o Governo em si é que criou uma jaula e nos meteu, criou uma confusão no meio da sociedade”, desabafa um dos transportadores.
A pressão surge numa altura em que os operadores dizem já recear um segundo aumento das tarifas. “Já estamos a recear o aumento, o segundo aumento. Está muito caro, está muito caro”, afirma.
Os transportadores questionam ainda o custo do combustível praticado no país, comparando-o com a evolução dos preços nos países da região.
“10 litros são 1.017, dá uma voltinha, acabou. Não faz sentido, África do Sul baixou, Maláui baixou, que levam combustível nas nossas terminais portuárias, não se justifica”, contesta o operador.
A pressão sobre as tarifas acontece, entretanto, num cenário em que os passageiros já suportam o aumento aplicado recentemente e onde persistem denúncias de cobrança de valores acima dos oficialmente estabelecidos, sobretudo nas rotas Patrice Lumumba, Praia de Xai-Xai e Inhamissa.
Para os transportadores, a situação tornou-se ainda mais difícil com as exigências de regularização das viaturas. Um dos operadores diz enfrentar dificuldades para reparar o próprio veículo.
“No meu carro falta vidro, falta organizar as cadeiras, mas o dinheiro não tenho, estou aqui na estrada, o petróleo está muito caro”, relata.
O Município, por sua vez, rejeita a cobrança arbitrária de tarifas e diz estar a agir sempre que recebe denúncias dos munícipes. A Polícia Municipal afirma que as operações são desencadeadas após queixas sobre especulação dos preços.
“Temos recebido algumas denúncias dos munícipes, nesse caso, de alguns que especulam preços, nesse caso, de transporte de passageiros”, explica Hélia Solange, Porta-Voz da Polícia municipal.
Segundo a mesma fonte, as denúncias chegam ao Comando da Polícia Municipal através dos canais disponibilizados nas reuniões com as comunidades, seguindo-se a intervenção das equipas de fiscalização.
“Quando alguns munícipes denunciam o Comando da Polícia Municipal através do contacto que é fornecido nas reuniões com a comunidade, então a polícia vai lá e trabalha com os transportadores”, esclarece.
As operações já resultaram na apreensão de mais de 200 viaturas e na aplicação de multas por diferentes infracções. Entre os casos identificados estão viaturas sem documentação exigida e condutores sem carta de condução.
“Temos algumas viaturas que não apresentaram os documentos, por falta de licença, e alguns condutores que não apresentaram a carta de condução”, revela a fonte.
Enquanto os transportadores pressionam por uma nova revisão das tarifas, o Município insiste no cumprimento dos valores estabelecidos e mantém a fiscalização contra a especulação.