Abandono familiar deixa 78 pacientes retidos no Hospital Psiquiátrico – O País
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Abandono familiar deixa 78 pacientes retidos no Hospital Psiquiátrico – O País

O Hospital Psiquiátrico regista actualmente 78 pacientes adultos que permanecem internados por períodos superiores ao previsto, por não terem conseguido regressar ao convívio das suas famílias. O número é composto por 54 homens e 24 mulheres, que permanecem nas enfermarias por diferentes razões.

Segundo a instituição, o internamento de curta duração tem uma duração máxima de 45 dias, findos os quais o paciente, depois de estabilizado, deve regressar à sua família. Contudo, alguns doentes acabam por permanecer no hospital devido a dificuldades na localização dos familiares, à própria natureza da doença ou à falta de informação suficiente no momento da admissão.

A instituição explica que, em alguns casos, à medida que o estado clínico do paciente melhora, a recuperação da memória permite obter informações que facilitam a localização dos familiares e a consequente reintegração. Porém, há situações em que as próprias famílias se recusam a receber de volta o doente, muitas vezes por falta de informação ou por preconceitos relacionados com a doença mental.

De acordo com o hospital, algumas famílias ainda associam as doenças mentais a fenómenos sobrenaturais, o que leva à rejeição do paciente. Nestes casos, a instituição procura sensibilizar e educar os familiares, com o objectivo de criar condições para que o doente, uma vez estabilizado, possa regressar ao seu meio familiar.

As dificuldades económicas constituem igualmente um dos factores que contribuem para a permanência prolongada dos pacientes. Há famílias que alegam não ter condições para garantir alimentação adequada e assegurar a continuidade da medicação, optando, por isso, por deixar o doente sob os cuidados do hospital.

Existem ainda casos em que o próprio paciente manifesta preferência por permanecer na instituição, por considerar que recebe melhores cuidados do que em casa. Alguns relatam que, no hospital, têm alimentação regular e convivem diariamente com profissionais e outros pacientes, realidade que dizem não encontrar no seio familiar.

Perante este cenário, o Hospital Psiquiátrico afirma estar a analisar cada caso individualmente, procurando identificar soluções que permitam a reintegração dos pacientes no seio das suas famílias e na comunidade.

 

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