Escolha de Roma para assinatura do Acordo Geral de Paz foi estratégica – O País
O antigo Presidente da República, Joaquim Chissano, explica que a escolha de Roma para as negociações tendo em vista a Assinatura do Acordo Geral de Paz (AGP) entre a Frelimo e Renamo foi estratégica, uma vez que em Moçambique não havia condições devido à guerra.
Falando no contexto da celebração do seu aniversário, o antigo estadista explicou ainda que era pertinente que as negociações fossem fora do país para depois se voltar ao país já em um ambiente de paz.
“E não começamos logo em Roma, começamos aqui mesmo na África. Às vezes, por intermédio de pessoas que iam falar com a Renamo, vinham falar com o Governo, e trocávamos as nossas ideias, até que decidimos sentar em um lugar. E esse lugar não podia ser Moçambique, porque havia a guerra, e a Renamo havia de ter medo de que o Governo tinha o poder, podia prender, meter na cadeia, tinha medo disso”, explica Joaquim Chissano.
Joaquim Chissano acrescenta que “tínhamos que ir para um lugar onde não houvesse guerra, onde podíamos criar confiança para falar à vontade, dizer as verdades, e escolhemos Roma. Estava lá uma organização que nos apoiou, que se chama Organização de Santo Egídio. É uma organização na base da religião, da religião católica, e que tem ajudado muitos países também a negociar a paz. Também aceitaram receber-nos para discutirmos. E pronto, quando já tínhamos confiança, assinamos o acordo, voltamos para Moçambique e começamos a discutir o que faltava discutir aqui mesmo no país. Continuamos, já que em Moçambique havia condições para podermos discutir”, anota.
O antigo estadista recorda que já em Moçambique as duas partes discutiram muita coisa.
“Discutimos, por exemplo, a retirada das armas das mãos daqueles que combatiam. Algumas armas para serem destruídas, outras para serem guardadas, para serem úteis para o país. E discutimos, até formarmos forças armadas conjuntas, entre as forças do Governo e as forças da Renamo.