SAMORA MACHEL: Uma voz que transcende a morte – Jornal Domingo
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SAMORA MACHEL: Uma voz que transcende a morte – Jornal Domingo

A manhã do domingo de 19 de Outubro de 1986 nasceu aparentemente tranquila. Moçambique seguia o ritmo habitual de um dia de descanso, sem imaginar que, à noite, a milhares de metros de altitude, desenrolar-seia uma tragédia que mudaria para sempre a sua história.

Que o avião Tupolev 134 que transportava o seu primeiro Presidente, Samora Machel, cairia em Mbuzini, no território sul-africano, quando regressava de uma missão de paz na África Austral.

Naquele dia, o país perdeu um soldado poderoso, respeitado, corajoso, uma voz potente e um estadista que o seu povo não se tinha preparado para viver sem a sua orientação. A dor da sua perda atravessa gerações.

Samora Machel regressava de Mbala, na Zâmbia, onde participou em encontros orientados para a paz e a cooperação regional. Mais do que uma missão diplomática, era a expressão de causas pelas quais dedicara a vida: a liberdade, justiça, igualdade, a paz e o progresso dos povos africanos.

Alusivo à passagem, amanhã, dos 40 anos do fatídico 19 de Outubro, domingo ouviu cidadãos que viveram na pele, naquele ano, a perda e o luto de Samora Machel, que deixou em orfandade os então 14 milhões de moçambicanos.

Armando Novela, 58 anos, é uma destas vozes. Acabado de entrar na vida adulta e estudante da Escola Secundária Estrela Vermelha, em 86, ainda lembra, ao detalhe, dos primeiros “sopros” que lhe chegaram sobre a morte do Presidente Samora Machel.

Começou por não acreditar no que ouvia. Pensava que fosse um boato. Porém, a posteriori, a mente passou a navegar na incerteza e quando ouviu a informação pela Rádio Moçambique, na voz de Marcelino dos Santos, foi à “loucura”.

“Nunca tinha sentido uma dor tão angustiante como aquela. Era um jovem de 18 anos e olhava para o Presidente Samora como pai, um exemplo de homem e liderança…”

Diz que jamais imaginara que um dirigente tão forte e corajoso quanto Samora Machel pudesse tombar cedo, com o país ainda a precisar dele. Sublinha que, com a confirmação da morte do Presidente, o seu mundo passou a orbitar entre o medo e incerteza. Primeiro porque o país se tinha libertado do colonialismo 10 anos antes, depois porque naquele ano ainda continuava mergulhado numa guerra civil, iniciada em 1977.

Também tinha medo de que houvesse algumas agressões vindas de alguns inimigos como os do regime do “apartheid”. “Não foi fácil ser moçambicano naqueles dias, nos meses subsequentes e até nos anos seguintes. Nós o amávamos muito”. Leia mais…

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