EL NIÑO ameaça agricultura no norte de Gaza – O País
Depois da perda de mais de 50 mil hectares de culturas agrícolas na última época chuvosa, os distritos de Massangena, Mapai e Chigubo voltam a enfrentar uma nova ameaça. Desta vez, a seca associada ao fenómeno El Niño, prevista para o período entre Outubro de 2026 e Janeiro de 2027. No terreno, parte da população alerta para a falta de sementes, água e condições para fazer face aos efeitos do fenómeno.
Depois das cheias da última época chuvosa, Gaza enfrenta agora uma nova ameaça. A seca associada ao fenómeno El Niño poderá comprometer a segurança alimentar, sobretudo nos distritos de Mapai, Massangena e Chigubo.
O País percorreu os distritos mais a norte da província e encontrou comunidades onde a informação sobre o fenómeno continua escassa e onde cresce a preocupação sobre a capacidade de resposta.
A falta de água já preocupa agricultores e criadores de gado, que receiam reviver o cenário de perdas registado na última seca. Entre a incerteza e a falta de apoio, muitos dizem não estar preparados para enfrentar mais uma crise climática.
“Não estamos preparados e não sabíamos da ocorrência da seca. Se tivéssemos áreas de produção, até Outubro estaríamos a cultivar e em Novembro estaríamos a colher, mas agora já não é possível cultivar devido à seca”, disse um produtor local.
Em Chigubo, distrito com mais de dois mil produtores, as comunidades afirmam continuar a enfrentar dificuldades para iniciar a produção. Na comunidade de Txove, o líder local, Nasson Chitlangol, revela que apenas uma pequena parte dos agricultores recebeu sementes.
“Apenas 40 pessoas, de um total de 425, receberam sementes na comunidade de Txove. Ainda não temos áreas de produção e não sabemos que soluções o Governo irá apresentar”, afirmou Nasson Chitlangol.
A falta de sementes é uma das principais preocupações dos produtores, que temem não conseguir iniciar a próxima campanha agrícola.
“Não temos sementes. Aqui precisamos de milho, mas não sabemos onde vamos conseguir, porque, se o Governo nos abandonar, não sabemos o que fazer”, lamentou um produtor.
A escassez de áreas cultiváveis nas zonas baixas, aliada à dependência da chuva, aumenta a vulnerabilidade das famílias, numa altura em que os avisos sobre a seca se intensificam.
O administrador de Chigubo, Almeida Guelume, garante que o distrito recebeu 17 toneladas de sementes para apoiar a produção em áreas consideradas seguras.
“Recebemos 17 toneladas de sementes para produção em áreas consideradas seguras”, explicou o administrador.
Depois da perda de cerca de 20 mil hectares na última campanha agrícola, Almeida Guelume diz haver sinais de recuperação, mas apela ao uso racional da água disponível.
Em Mapai, o receio também cresce. Os produtores temem que a escassez de chuva comprometa não apenas as machambas, mas também a sobrevivência do gado, uma das principais fontes de rendimento das famílias.
O secretário permanente de Mapai, Moisés Malol, afirma que o Governo aposta no aproveitamento das zonas baixas para reduzir o impacto da seca, mas reconhece que ainda existem limitações nos meios disponíveis, sobretudo para o abastecimento de água.
Nas machambas, os produtores dizem ainda enfrentar dificuldades com pragas e falta de equipamentos de irrigação.
“Nas machambas não temos como controlar a praga que tem destruído as sementes. Temos escassez e, no nosso projecto, não temos motobomba; transportamos a água à cabeça. Por isso, pedimos apoio”, apelou um agricultor.
As previsões indicam que o fenómeno El Niño poderá prolongar-se até Janeiro de 2027. A última ocorrência, entre 2023 e 2024, deixou um rasto de destruição, com perdas de culturas agrícolas, escassez de água e agravamento da insegurança alimentar em várias regiões do sul do país.