Pessoas com albinismo recebem atendimento dermatológico em seis províncias de Moçambique – O País
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Pessoas com albinismo recebem atendimento dermatológico em seis províncias de Moçambique – O País

Pessoas com albinismo beneficiam-se de atendimento médico especializado e gratuito no âmbito da VII Expedição Dermatológica, numa campanha que decorre de 5 a 28 deste mês, nos hospitais provinciais de Tete, Inhambane e Xai-Xai, Hospital Geral da Beira e hospitais centrais de Nampula e Maputo.

A iniciativa promovida pelo Laboratório Internacional de Fotoprotecção e Dermatologia (ISDIN), em colaboração com a África Directo tem como objectivo facilitar o acesso das pessoas com albinismo aos cuidados de saúde e contribuir para a prevenção e detecção precoce do cancro da pele.

Para o efeito, profissionais especializados de vários países, com experiência em albinismo e cancro da pele, irão avaliar o estado da sua pele, identificar possíveis lesões que necessitem de acompanhamento e tratá-las directamente durante a consulta.

A VII Expedição Dermatológica procura não só prestar assistência médica, mas também promover hábitos de prevenção e ajudar as pessoas com albinismo e as suas famílias a conhecer melhor os cuidados necessários para proteger a pele. Por este motivo, será reforçada a educação sobre fotoprotecção e serão distribuídos protectores solares e chapéus de aba larga que protejam também as orelhas e o pescoço.

Entre as principais recomendações para as pessoas com albinismo encontram-se a necessidade de utilizar proctetor solar diariamente, cobrir a pele com roupa (camisolas de manga comprida e calças compridas), usar bonés ou chapéus de aba larga, procurar a sombra e evitar, sempre que possível, as horas de maior exposição solar.

MAIS DE 5 MIL AVALIAÇÕES DA PELE 

Esta será a sétima expedição dermatológica realizada no âmbito do projecto iniciado em 2022 pela ISDIN em colaboração com a África Directo e, desde 2024, a iniciativa conta com a parceria do Ministério da Saúde.

Nas seis expedições anteriores foram realizadas mais de 5.250 avaliações dermatológicas e 911 cirurgias de tumores cancerígenos, com a participação de 77 dermatologistas. O projecto permitiu ainda formar profissionais de saúde locais e inclui a doação anual de 100.000 protectores solares.

A iniciativa tem vindo a alargar progressivamente a assistência a diferentes zonas de Moçambique e procura, paralelamente, reforçar a formação dos médicos locais para favorecer a continuidade do atendimento dermatológico ao longo de todo o ano.

As pessoas com albinismo têm pouca ou nenhuma melanina, o que reduz a protecção natural da pele contra o sol e aumenta o risco de sofrer danos solares e desenvolver cancro da pele. Por este motivo, a fotoprotecção, a avaliação periódica da pele e a detecção precoce de possíveis lesões são especialmente importantes.

ALBINISMO E ALGUMAS FALSAS CRENÇAS

O albinismo é uma condição genética hereditária que afecta a produção de melanina e não é uma doença contagiosa. As pessoas com albinismo podem ter necessidades específicas, especialmente relacionadas com a visão e a protecção da pele contra o sol, mas o albinismo não determina as suas capacidades intelectuais nem as impede de ter uma vida plena.

Em algumas comunidades, ainda existem falsas crenças sobre o albinismo que não têm qualquer fundamento científico. Entre elas, a ideia de que determinados alimentos, como a carne ou o peixe, provocam cancro da pele, quando o principal factor de risco é a exposição à radiação solar; que o nascimento de uma criança com albinismo se deve à infidelidade da mãe; ou que as pessoas com albinismo têm poderes sobrenaturais, trazem boa ou má sorte ou são vítimas de uma maldição ou castigo. Estas crenças contribuem para a sua estigmatização e discriminação.

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