Convidados destacam regresso às raízes e inovação no discurso de Chapo – O País
Artistas e académicos convidados para a Conferência Nacional de Quadros da FRELIMO, que decorre em Chimoio, reagiram positivamente ao discurso de abertura do Presidente do partido, Daniel Chapo.
Para os convidados, a intervenção marca um “regresso às raízes”, com um olhar para o futuro, e traz orientações concretas para o desenvolvimento do país.
Uma das vozes ouvidas destacou a referência feita a grandes líderes históricos da FRELIMO.
“A constante referência é Eduardo Mondlane e Samora Machel, primeiro e segundo presidentes da FRELIMO, assim como Nelson Mandela, que foi líder do ANC, partido sul-africano. São figuras que ajudaram a construir as independências e que tinham ideias claras sobre o bem-estar do povo. Daniel Chapo está a regressar às raízes para poder depois conseguir caminhar. E eu até respirei um pouco de ar puro, porque esses são os nossos grandes líderes, aqueles que nos guiaram para grandes realizações”, afirmou.
Na mesma intervenção, foi levantada a questão do alinhamento entre a governação e o desejo do povo.
“Será que é para regressarmos ao ponto de partida e corrigir o que está errado? Não sei, porque o que eu senti nos últimos tempos é que parece ter havido um desfasamento entre a governação e o desejo do povo, o que é contrário aos princípios desses homens que eu mencionei”, disse.
Para o músico Isaú Meneses, o discurso trouxe clareza e uma nova orientação para os membros do partido.
“É um discurso muito cheio de conteúdo, um discurso inovador, um discurso que esclarece muitas coisas. Penso que é um discurso que definitivamente não deixa dúvidas a ninguém sobre qual é o rumo que nós devemos tomar para desenvolver Moçambique e para reorganizar a nossa…”, declarou.
Do lado académico, o docente Paulo Wache viu no discurso a continuidade do compromisso assumido na tomada de posse, mas com provas concretas.
“A tomada de posse foi aqui trazida com alguma diferença específica, que é as evidências que ele apresenta. Quer dizer, já não é um discurso de aspiração, é um discurso que ele já traz elementos que provam. Um dos exemplos que fixei logo foi o exemplo da lei sobre recursos minerais e hidrocarbonetos”, explicou.
Paulo Wache destacou ainda o enfoque na industrialização como caminho para o emprego.
“O outro aspecto importante que é realçado é a questão da industrialização. Os recursos naturais devem ser extraídos, mas não podem ser transformados fora do país, devem ser transformados aqui na indústria nacional, para produzir emprego”, sublinhou.
Para o académico, a mensagem de Chapo acompanha o momento do país e do partido, projectando o futuro.
“Acho que quando ele diz que tem a experiência que tem, mas a renovação é importante, é para enquadrar aquilo que o contexto nacional e global representa. Os desafios da experiência devem ser usados, mas sobretudo tem que olhar para as questões de renovação, para assegurar que a FRELIMO continue moderna, actual e possa responder aos desafios do país e dos moçambicanos. Creio que é uma mensagem muito forte”, concluiu.