Famílias desalojadas continuam ao relento, três semana depois, no bairro das Mahotas – O País
Famílias desalojadas pela Polícia da República de Moçambique de um espaço alegadamente alheio no bairro das Mahotas continuam a viver ao relento três semanas após o despejo. nunca foi apresentado o mandado judicial para demolições, e o Município de Maputo não quer falar do assunto.
Nos últimos três dias, o frio apertou em Maputo, e para estas famílias, que há três semanas vivem sem casas no bairro das Mahotas, na capital do País, as baixas temperaturas tornam ainda mais difícil enfrentar a realidade.
Entre tendas improvisadas, lareiras e cobertores, procuram abrigo para mais um dia.
“Estamos aqui, ao relento”, introduziu Hortência Eugénia, uma moradora entrevistada na manhã desta quarta-feira. Segundo a fonte, “aqui ninguém aparece do Governo, eles não conhecem esta população aqui acampada.”
Margarida Zimila, outra entrevistada no local, denuncia um alegado “esquecimento” questionando “porque Rasaque Manique não levanta para vir ver esta situação aqui? As famílias foram vítimas de uma suposta acção judicial que culminou com a destruição de casas construídas num espaço alegadamente alheio. Depois da demolição, as famílias continuam a passar as noites frias na rua. “Estamos na rua, a sofrer, mas nós não vamos sair daqui, nós queremos que a senhora que nos colocou aqui venha, e ainda que não venha, um dia, a justiça será feita”, desabafou Margarida Zimila
A estes dias, a preocupação nem é com a comida, se bem que também falta. A chuva que pode molhar o pouco que salvaram do despejo, atormenta as pessoas principalmente as crianças que “passam mal e algumas estão frequentemente doentes”.
Embora os moradores citem uma entidade ligada ao Município de Maputo como responsável de atribuição de espaços onde foram desalojados, a comunicação e imagem do Conselho Municipal reiterou, nesta quarta-feira, que não vai pronunciar-se sobre o caso.
Enquanto as famílias permanecem ao relento, o alegado proprietário do espaço, que nunca apresentou o mandado judicial que fundamentou o uso da força do Estado para desalojar as famílias, avança com obras de vedação do espaço ora ocupado.