Milhões de crianças sem acesso aos serviços básicos na Zambézia – O País
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Milhões de crianças sem acesso aos serviços básicos na Zambézia – O País

Milhões de crianças na Zambézia continuam a enfrentar desafios ligados à pobreza, à falta de acesso a serviços básicos e à violência. Em resposta a esta realidade, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) investiu, ao longo de 2025, cerca de 7 milhões de dólares na província para reforçar programas de protecção da criança, abastecimento de água e saneamento, bem como vacinação e outras acções no sector da saúde.

A Zambézia alberga mais de 3,7 milhões de crianças e adolescentes, dos 0 aos 19 anos de idade, o equivalente a cerca de 20% da população infantil de Moçambique. Apesar deste peso demográfico, os indicadores sociais continuam preocupantes. Muitas crianças vivem em situação de pobreza extrema, com acesso limitado à saúde, água potável, saneamento e educação.

Ao mesmo tempo, 48% das mulheres iniciaram uma união antes dos 18 anos, um indicador que evidencia a persistência do casamento prematuro e dos riscos que afectam o desenvolvimento das raparigas.

“A situação das crianças na província da Zambézia é muito crítica. Primeiro, olhar para o número da população da província, que são 6,3 milhões. Destes 6,3 milhões, 3,7 milhões são crianças, que cobrem quase 60% da população da Zambézia. Se olharmos para os indicadores das crianças, estamos a ver que muitas crianças estão a viver debaixo da pobreza, e principalmente a pobreza nas moedas, que chamamos de ‘monetary poverty’, que são quase 65% das crianças. Eles têm o desafio de acesso a serviços como tal, saúde, educação e também água potável”, explica Michael Chinedza, representante do UNICEF na Zambézia.

Foi neste contexto que, nesta quarta-feira, a província lançou oficialmente a Linha Fala Criança, um mecanismo destinado a receber denúncias, prestar apoio e acelerar a resposta a casos de violência, abuso, negligência, exploração e outras violações dos direitos da criança.

“A partir da linha 116, as crianças poderão ter ajuda. Nós sabemos que temos casos de violência, e esta linha é bem-vinda. O sentimento é de muita satisfação. A taxa é alta nas denúncias prematuras na província, e estamos a fazer esforços com os comités de protecção da criança. No ano passado, investimos quase sete milhões de dólares aqui, na Zambézia, e estamos, agora, a trabalhar para o próximo ano, para podermos ver quando é que podemos investir”, refere Noémia Muchine, esposa do secretário de Estado na Zambézia.

Com este investimento, o UNICEF pretende fortalecer os sistemas de protecção social e garantir que mais crianças cresçam em ambientes seguros, saudáveis e com melhores oportunidades para o seu desenvolvimento.

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