48 mil migrantes retornam a Marrocos após fluxo maciço para ceuta – O País
Cerca de 48 mil migrantes regressaram voluntariamente a Marrocos, depois de um fluxo maciço de pessoas para o enclave espanhol de Ceuta, no Norte de África, ter desencadeado uma grave crise humanitária e de segurança.
Segundo as autoridades espanholas, aproximadamente 60 mil pessoas atravessaram a fronteira em direcção a Ceuta nos últimos dias, reacendendo o debate sobre a imigração em vários países europeus.
Na tentativa de chegar ao território espanhol, alguns migrantes percorreram vários quilómetros a nado pelo mar, apesar das operações das forças de segurança para impedir a entrada. As autoridades recorreram a canhões de água, gás lacrimogéneo e disparos de advertência para conter o fluxo.
Pelo menos 57 migrantes morreram durante a travessia. Entre as vítimas estão pessoas que se afogaram e outras que perderam a vida num tumulto ocorrido quando tentavam atravessar um quebra-mar próximo de um posto de controlo fronteiriço.
Perante a dimensão da crise, a Espanha mobilizou as Forças Armadas e reforçou o efectivo policial em Ceuta e Melilla, com o objectivo de restabelecer a ordem e reforçar o controlo das fronteiras.
Do lado marroquino, as forças de segurança também entraram em confronto com migrantes que procuravam alcançar os territórios espanhóis. A situação provocou igualmente reacções internacionais, com países como Itália e França a anunciarem o reforço do controlo sobre a entrada de migrantes provenientes de Espanha.
“O que Ceuta está a atravessar é absolutamente insustentável”, afirmou o presidente do enclave, Juan Jesús Vivas, perante jornalistas.
Entretanto, grupos de migrantes tentaram também entrar em Melilla, outro território espanhol situado no extremo Norte de África, onde se registaram confrontos com as forças policiais.
Durante uma visita a Ceuta, o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, classificou a situação como uma “violação da integridade territorial de Espanha” e determinou o reforço da presença militar e policial nos dois enclaves espanhóis.
Ceuta, situada junto ao Estreito de Gibraltar, à entrada do Mar Mediterrâneo, pertence a Espanha desde 1580 e constitui, juntamente com Melilla, uma das principais portas de entrada de migrantes africanos no território europeu.