“O Veredicto” une música, teatro e dança no Centro Cultural Moçambique-China – O País
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“O Veredicto” une música, teatro e dança no Centro Cultural Moçambique-China – O País

O musical “O Veredicto” sobe ao palco na próxima sexta-feira, no Centro Cultural Moçambique-China, com a proposta de unir teatro, canto, dança e performance visual numa reflexão sobre as histórias, vivências e expressões que compõem o património cultural moçambicano. Mais do que um espetáculo, os promotores apresentam a iniciativa como um apelo à valorização da cultura nacional e à aproximação do público às produções artísticas do país.

Durante a conferência de imprensa de apresentação do musical, o produtor Zé Pires afirmou que a obra pretende contribuir para o resgate da música moçambicana, que, na sua perspetiva, tem perdido espaço junto da própria sociedade.

“Fazemos com este musical, com esta obra que é um teatro musicado, um clamor a toda a sociedade para o resgate e a recuperação da nossa música como uma plataforma importante que foi praticamente abandonada pela própria sociedade.”

Segundo Zé Pires, a principal razão da criação do espetáculo é formar novos públicos e incentivar os moçambicanos a voltarem às salas de espetáculo.

“A essência deste espetáculo, aquilo que foi a razão por que foi criado, é a construção de uma audiência, a formação de audiências.”

O produtor reconheceu que um dos maiores desafios enfrentados pelos artistas nacionais é conquistar público para os seus eventos.

“Hoje em dia temos muita dificuldade de ter um espetáculo de música ou de qualquer arte sem a gente ter uma casa cheia. Estamos com uma casa de 1.500 lugares e, para a ter cheia, é um transpirar que vocês não estão a imaginar.”

Também presente na conferência de imprensa, o artista Roberto Chitsondzo alertou para o que considera ser um progressivo afastamento dos artistas e do público em relação à cultura moçambicana.

“Nós, artistas, fugimos da nossa essência como artistas para ser melhor aplaudidos. A sociedade deixou de escutar a sua própria cultura para dar mais ‘likes’ àquilo que é dos outros.”

Embora reconheça a importância das influências internacionais na formação dos artistas, Chitsondzo defendeu que é necessário valorizar mais a produção cultural nacional.

“Eu próprio aprendi a cantar com músicas provenientes de outros sítios. Mas isso não significa que devemos deixar de ouvir e promover aquilo que é nosso.”

O artista criticou ainda a escassa presença de conteúdos culturais em alguns programas de entretenimento, considerando que a divulgação do trabalho dos criadores nacionais continua a ser insuficiente.

“Aquilo que a gente assiste ali é fofoca, aberrações, insultos. Daquilo que deveriam apresentar sobre os nossos colegas, eu não vejo nada.”

A organização acredita que “O Veredicto” poderá contribuir para aproximar o público da arte moçambicana, promovendo uma reflexão sobre a identidade cultural e reforçando o papel da música, do teatro e da dança como instrumentos de preservação do património nacional.

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